ROTEIRO PARA DISSERTAR SOBRE O LIVRO AMOR PARA CORAJOSOS
ROTEIRO PARA DISSERTAR SOBRE O LIVRO AMOR PARA CORAJOSOS
“SEM HIPOCRISIA, NÃO HÁ CIVILIZAÇÃO – ISSO É A PROVA DE QUE SOMOS DESGRAÇADOS: PRECISAMOS DA FALTA DE CARÁTER, COMO CIMENTO DA VIDA COLETIVA. (L.F.Ponde)
1. Quem é LUIZ FELIPE DE CERQUEIRA E SILVA?
Nasceu em Recife, PE, em 29 de abril de 1959.
Filósofo, escritor, ensaísta, professor universitário, palestrante.
O pensamento e a filosofia de Pondé, baseiam-se num certo pessimismo, na valorização das tradições religiosas ocidentais, e no combate ao "pensamento politicamente correto" nos meios universitários.
Carrega fortes influências do filósofo alemão Friedrich Nietzche e do existencialismo.
Admirador inconteste de Nelson Rodrigues, a quem denomina “um jansenista brasileiro".
Pondé muitas vezes se expressa por meio aforismos sobre o cotidiano.
(JANSENISMO - doutrina religiosa inspirada nas idéias de um bispo (CorneliusnOtto Jansenius).
Defende a interpretação das teorias de Agostinho de Hipona sobre a predestinação, contra as teses tomistas do aristotelismo e do livre-arbítrio.)
(AFORISMO - palavra de origem grega (aphorismós), cuja significado é limitação, definição breve, sentença, embora condense conceitos amplos em poucas palavras. Os aforismos nem sempre têm intenção de ser uma verdade absoluta, encerrada em si e para si.
Qualquer forma de expressão sucinta de um pensamento moral, de definição breve. Sentença, máxima, adágio, axioma, provérbio.
Exemplos de aforismos:
"A vida é breve, a velhice é longa." "Seria cômico, se não fosse trágico!" "Rir é o melhor remédio." "Só percebemos o valor da água, quando a fonte seca." "Tal pai, tal filho." "Devagar se vai longe." etc.
2. SUAS OBRAS (9)
A Era do Ressentimento (2012)
O Homem e Seus Sintomas(2013)
A Resistência (2014)
Felicidade e seus Inversos (2015)
O que é o amor (2016)
A Arte de Ser Livre (2017)
As 10 Maiores Ideias da Filosofia (2018)
O que é ser humano (2019)
A Morte do Outro (2020)
3. AMOR
O que é esse sentimento, e o que representa na nossa vida.
O que é o amor?
1. Complexidade e Contradições
Pondé descreve o amor como um fenômeno que envolve paixão, desejo e também dor. Ele enfatiza que o amor não é apenas um estado de felicidade, mas também um campo de conflito e de aprendizado.
2. Coragem
O título sugere que amar exige coragem. Pondé argumenta que, para se envolver verdadeiramente com o outro, é necessário enfrentar vulnerabilidades, riscos e incertezas.
3. Acessibilidade e Dificuldade
O amor não é algo que se conquista facilmente; envolve esforço, dedicação e, muitas vezes, sacrifício. O autor discute a ideia de que o amor é uma escolha, não apenas um sentimento espontâneo.
4. O campo semântico da palavra Amor.
Luis Felipe Pondé explora o campo semântico da palavra amor de maneira abrangente, analisando suas diversas conotações e implicações.
Amor Romântico
Pondé discute o amor como um ideal frequentemente associado à paixão e ao romantismo. Essa perspectiva é cheia de expectativa, mas também pode levar à desilusão.
Amor Platônico
O autor aborda a ideia de amor platônico, que enfatiza a conexão emocional e espiritual, muitas vezes dissociada do desejo físico.
Amor Fraternal e Amizade
Pondé destaca a importância do amor fraternal, que envolve laços de camaradagem, lealdade e apoio mútuo, mostrando que o amor não se limita a relações românticas.
Amor-próprio
O amor-próprio é outra faceta importante, onde o autor argumenta que é essencial para a saúde emocional e o bem-estar individual. Esse amor é visto como um pré-requisito para amar os outros de forma saudável.
Amor e Sacrifício
Pondé também explora o amor como um ato de sacrifício, onde amar verdadeiramente muitas vezes envolve renúncias e compromissos.
O Amor como Desafio: O autor coloca o amor como um desafio, que exige coragem e disposição para enfrentar dificuldades, conflitos e a vulnerabilidade que surgem nas relações.
No contexto da obra, o campo semântico da palavra é vasto e rico, refletindo suas várias formas e manifestações. Pondé nos leva a perceber que o amor é um sentimento que não se resume a uma única definição, mas que envolve uma complexidade de experiências e emoções que moldam nossas vidas e relações.
5. O conhecimento de alguma coisa, pode nos revelar muitas outras.
Quando iniciamos o estudo sobre um determinado campo de conhecimento, seja ele científico (denotativo) ou do campo das artes (conotativo), aprofundar a análise do objeto inicial, sempre nos leva a abertura semântica das várias linguagens, principalmente quando nosso objeto de estudo, no caso uma obra literária, O AMOR PARA CORAJOSOS, abre-se para a interpretação, um amplo campo conotativo, por se tratar de um objeto subjetivo, situado na esfera da literatura, o que nos leva às imensas possibilidades conceituais que a obra nos oferece, na leitura da sua narrativa.
6. PONDÉ, politicamente, se considera um “LIBERAL-CONSERVADOR.
O liberalismo conservador é uma ideologia que destaca o aspecto conservador do liberalismo, de modo que pode aparecer de forma um pouco diferente. Refere-se a ideologias que mostram tendências relativamente conservadoras, dentro do campo liberal, por isso apresenta um significado relativo ao momento e época de sua manifestação.
O liberalismo defende uma ampla gama de pontos de vista e em geral, apoia ideias como um governo limitado, quanto aos poderes, direitos individuais (civis e humanos), livre mercado, democracia, secularismo (regime secular ou laical), expresso na separação entre o Estado e a Religião (Igrejas), igualdade de genero etc...
7. O AMOR, segundo PONDÉ manifesta em sua obra, é o objeto de nossa atenção. Seu foco é o "amor romântico".
SOBRE O AMOR PARA CORAJOSOS
Como Pondé situa o amor, no seu livro AMOR PARA CORAJOSOS? Acompanha-lo nessa “viagem”, é defrontar-se com uma visão insólita do Amor. Saímos do caminho do “senso comum”, para nos depararmos com o que pensa um filósofo, sobre um afeto que faz parte da vida, da existência, que integra todas as nossas relações com o mundo.
Como não poderia deixar de ser, o livro de Pondé é uma provocação para incomodar e desalojar o leitor da sua zona de conforto, com cutucadas no estômago, que o expulsa do "senso comum".
Ninguém pense que Pondé pretendeu escrever um Guia, ou um Manual para nos aconselhar sobre o amor. Longe disso! Aliás, devemos observar que não é propriamente um livro, como tradicionalmente o entendemos, mas um conjunto de pequenos e teimosos ensaios, que irão tratar o amor, segundo o momento do "humor afetivo" do autor.
A leitura dos ensaios, é aleatória, não segue o criterio de uma fila indiana. Os ensaios podem ser lidos, desordenadamente! Mas é uma viagem que certamente, será surpreendente.
Por ser um filósofo, seus referenciais são filosóficos!
Não é uma redundância, mas pode assustar os leitores que não têm a filosofia, como um recurso, onde acolher-se para buscar a interpretação dos fatos da nossa existência.
Pondé vai usar não somente a filosofia, mas as ciencias sociais e a “cultura", para analisar algumas questões que são eternas, e outras que são mais contemporâneas.
O amor pode conviver com rotinas?
Pondé parte de uma diferença entre o amor “kantiano”, estável, respeitoso, para o amor “nietzschiano", marcado pela paixão, pelo avassalamento amoroso!
8. ORIGENS DO AMOR ROMÂNTICO
O AMOR ROMÂNTICO surgiu no século XII, mas estudos recentes refutam a ideia de que tenha sido uma invenção exclusiva da Europa medieval.
O amor romântico, retratado como o ideal maior e única possibilidade de realização, exaltava temas sentimentais e apresentavam formas idealizadas do amor, do herói e da mulher.
O AMOR ROMÂNTICO, pode ser visto como uma produção das exigências sócioculturais do capitalismo.
Para os realismo burguês, o AMOR-PAIXÃO romântico é uma produção social e não algo universal do modo sentimental de ser.
O MITO DO AMOR ROMÂNTICO idealiza o outro, atribuindo-lhe características inexistentes, e está ligado diretamente a ideia de "AMOR PERFEITO", uma crença medieval, de que o amor verdadeiro entre um homem e uma mulher, deve ser uma ADORAÇÃO EXTÁTICA.
A visão do corpo, como a natureza inferior, oposta ao espírito, a natureza superior do ser humano, uma dicotomia que poderá nos levar a refletir como pensar o AMOR E O SEXO NO AMOR ROMÂNTICO, marcado pela idealização platônica da relação amorosa.
Esse IDEAL AMOROSO leva a frustração, quando o indivíduo percebe que a fantasia é diferente da realidade, imposta pelo cotidiano.
Universal cultural
Um universal cultural (também chamado de universal antropológico ou universal humano) é um elemento, padrão, traço ou instituição comum a todas as culturas humanas conhecidas em todo o mundo. Em conjunto, todo o corpo dos universais culturais é conhecido como a condição humana. Os psicólogos evolucionistas sustentam que comportamentos ou características que ocorrem universalmente em todas as culturas são bons candidatos para adaptações evolutivas.[1] Alguns teóricos antropológicos e sociológicos que adotam uma perspectiva relativista cultural podem negar a existência de universais culturais: até que ponto esses universais são "culturais" no sentido estrito, ou de fato comportamento herdado biologicamente, é uma questão de "natureza versus criação". Estudiosos proeminentes no tópico incluem Emile Durkheim, George Murdock, Claude Lévi-Strauss, Donald Brown.
Lista de Donald Brown em universais humanos
Em seu livro Human Universals (1991), Donald Brown define os universais humanos como compreendendo "aquelas características da cultura, sociedade, linguagem, comportamento e psique para as quais não há exceção conhecida", fornecendo uma lista de centenas de itens que ele sugere como universais.[2]
Explicações não nativistas
A observação do mesmo comportamento ou de comportamento semelhante em diferentes culturas não prova que sejam o resultado de um mecanismo psicológico subjacente comum. Uma possibilidade é que eles possam ter sido inventados independentemente devido a um problema prático comum. [3]
Ver também
9. O QUE FOI O MOVIMENTO ROMÂNTICO, E O QUE REPRESENTOU COMO A NOVA IDEOLOGIA BURGUESA?
O ROMANTISMO foi um movimento cultural que representou a ascensão dos valores da burguesia no FINAL DO SÉCULO XVIII E DURANTE PARTE DO SÉCULO XIX.
O romance OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER, do alemão GOETHE é considerada a primeira obra romântica publicada. Pode ser definido como a ARTE DA NOVA BURGUESIA, que ascendia ao poder. Foi uma arte complexa, diversificada e rica.
O ROMANTISMO foi um movimento cultural que nasceu em um momento de grandes rupturas na Europa. O pensamento ILUMINISTA gerou uma IDEOLOGIA LIBERAL, contrária às políticas absolutistas que vigoravam na época.
A burguesia tornava-se a classe dominante, substituindo as monarquias por MEIO DE DIVERSOS PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS em todo o velho continente.
A REVOLUÇÃO FRANCESA é um dos maiores exemplos desse período.
Nesse contexto histórico, a ARTE ROMÂNTICA representou o pensamento da nova classe que surgia, com NOVOS PRINCÍPIOS ÉTICOS, MORAIS E ESTÉTICOS.
Nos deixaram como herança cultural, e que continua vivíssimo há mais de um século!!
Evidente, que já não tem mais a face mórbida, o sofrimento, a exaltação dos sentimentos, a imaginação meio enlouquecida dos poetas... mas continuamos, ainda, alimentando o amor romântico, sob formas mais atenuadas, e nos contextos cultural e social modernos.
E ao abordar essa dicotomia entre o amor kantiano (equilibrado, estável) e o amor nietzschiano (passional, avassalador), Pondé vai buscar o amor romantico, como foco da sua narrativa. Esse amor romântico, é o centro das interrogações, das emoções contraditórias, quando surgem os dilemas.
A cada um dos ensaios, podemos fazer um exercício, para tentar revelar as intenções de Pondé, ao expor sua visão do amor romântico, com suas variáveis contemporâneas, o que abre um leque de questionamentos e interrogações de natureza cultural, próprias do momento, e cuja leitura dos nove ensaios despertará a complexidade desse afeto.
prof. mario moura
14 de outubro de 2024
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